quarta-feira, 5 de junho de 2013

Quão idiota consegues ser?

  Cancro é um assunto sobre o qual não gosto de falar. Isto porque tive uma pessoa bem perto de mim que sofreu com essa doença há relativamente pouco tempo, não mais de que um ano ou dois. Tive medo de perder essa pessoa, muito medo. É assustador como o raio que o parta! Um grande, grande pesadelo. Entrei em transe na altura, andava completamente apática e parecia estar desprovida de qualquer vida ou energia. Um zombie autêntico, digamos. Por dentro? Um turbilhão de sentimentos que não conseguiam escapar para o exterior porque existia uma voz dentro do meu crânio que dizia "Está tudo bem. Shiiiu, está tudo bem.", convencia-me que estava tudo bem, quando na  realidade não. Portanto, quando alguém sofre por causa do cabrão do cancro, eu entendo a pessoa. Não entendo os que sofrem da doença, mas percebo os que sofrem do coração por causa daqueles que sofrem da doença. Isto tudo para dizer que hoje, assisti a uma das cenas mais lamentáveis de sempre. Uma das minhas professoras de português do secundário teve cancro e teve que deixar-nos a meio do ano. Este ano ela veio fazer-nos uma visita, fiquei radiante por a ver porque eu adorava (e adoro!) aquela mulher! Entre beijinhos, abraços e "Então como está? Sentimos tanto a sua falta!!", estavam duas caramelas sentadas perto de mim a comentar o quão "acabada" a professora estava, "Já viste-me aquela roupa! Que horror!"... Basicamente a tecer comentários negativos sobre o aspecto da senhora. Mas... mas... mas, esperem? Ela não esteve doente? Estão à espera de quê?! Look top model? Eu achei que ela estava bem jeitosa para quem venceu um cancro! Há pessoas que não tem ponta de sensibilidade, e isso é uma pena. Devíamos parar para pensar por vezes. Ser mais humanos, digo eu...

1 comentário:

Iva Araújo disse...

Há pessoas realmente parvas e fúteis! É triste mas é a realidade