domingo, 27 de janeiro de 2013

Os homens, mulheres e cerveja.

 Bem, como tinha dito lá foi eu trabalhar ontem. Em vez de ficar na cozinha como é usual ultimamente fui para o balcão. E o que tem de tão especial o balcão meus amigos? Duas moças: eu e a minha irmã. "E depois?", perguntam vocês. Eu passo a explicar, vá. O sítio onde eu trabalho é um local centenário já, que passa de geração em geração. Inicialmente era uma adega e praticamente procurado só por homens. Com o passar dos tempos foi-se tornando num restaurante e até há poucos anos atrás era essencialmente frequentado por homens. Mulheres só na cozinha mesmo. Mas os tempos mudaram e as mulheres começaram a descobrir o quão porreiro o sítio era. Daí a encher o restaurante só com mulheres, todas as salas, foi um saltinho. Hoje em dia temos clientes dos 8 aos 80, malta bem porreira. E as únicas mudanças não foram nos clientes, visto que a geração mais antiga começou a retirar-se cada vez mais, o meu avó que assumia o balcão passou a pasta a outro: a mim e à minha irmã. Ontem tivemos a casa cheia, o maior grupo era de homens, vinham ver o benfica. Como eram clientes regulares da casa acharam estranho não ver lá o meu avó, pensavam que éramos empregadas recentemente contratadas. Como sou eu a responsável pela torre dos finos e as minhas canecas de receita são lendárias, quase tudo o que eles beberam foi eu que servi.   Então começou o início de uma bela amizade logo ali, uma miúda que sabe tirar cerveja é decerto uma boa miúda para eles.  Às páginas tantas, meia dúzia de homens que pertencia ao grupo dos benfiquistas levantam-se e vêm-me pedir mais finos. Tudo normal, até que um começa a meter conversa comigo. Os outros foram-se embora e o sujeito continuo a falar comigo. Aquilo evolui-o de tal forma que o gajo chegou ao cúmulo de pedir-me o número de telemóvel. Pequeno senão, ele era um homem de trinta e tal anos a tentar engatar uma moça de 18. O meu padrasto ouviu o moço a pedir-me o número e chamou-o à atenção.   Primeiro ficou constrangido e foi-se sentar, mas quando o meu padrasto voltou costas veio meter paleio de novo. Já apanhei ali de tudo. Pedidos de casamento, declarações de amor, serenatas... É bem comum elogiarem-me para conseguirem descontos no que consomem. Mas comigo têm um problema grave, eu sou muito simpática e gosto de meter-me com eles, só que eles nunca levam a melhor de mim. Ontem até já me ofereciam finos, pena é eu odiar cerveja. A minha avó já chegou mesmo a passar raspanetes a alguns que levam a brincadeira demasiado a sério. É engraçado porque a partir de uma certa altura criam-se mesmo laços de amizade, todos sabem o teu nome e tratam-se por uma alcunha carinhosa. A minha mãe brinca comigo e diz que ainda vou encontrar o homem da minha vida atrás do balcão. You never know... Prefiro atender homens a mulheres, são mais descomplicados. Além disso fico com o ego lá em cima cada vez que vou trabalhar devido aos elogios feitos por eles. Portanto se precisarem de alguma coisa, perguntem pela menina dos finos. 

2 comentários:

Iva Araújo disse...

Eu adoro as coincidências! Trabalho numa mercearia de bairro e é quase a mesma coisa, os elogios são uma coisa fantástica e deixam-me sempre bem disposta... Quanto a pedidos de casamento, já tive que recusar uns quantos e parte-me o coração vê-los partir tão tristes lol o que mais gosto são os laços que criei com os clientes da casa, já são meus amigos e adoro ouvir as suas histórias e brincar com eles (a maioria dos clientes são velhotes).
Quanto ao encontrares o amor da tua vida no balcão, eu acho que ia ser giro e MUITO romântico. Quando for ao Norte no Verão, vou querer conhecer esse restaurante ;)

Miguel Silva disse...

A arte de tirar finos nunca morrerá.

Morte às "imperiais"