domingo, 13 de janeiro de 2013

Nascer na época errada

  Em conversa com um amigo verifiquei aquilo que já sabia há muito, acho que nasci na época errada. Mesmo sendo uma pessoa que está a tirar L.H. e que gostava de ter uma profissão como assistente social, por exemplo, mesmo sendo uma pessoa que gosta de conviver e conhecer pessoas novas é irónico afirmar que não gosto da sociedade. Opá, é uma coisa faz-me alguma comichão, irrita-me! Sentir-me incompreendida  não deve-se ao facto de eu ser ainda adolescente (humildade à parte mas sou apenas adolescente no número de anos que tenho em cima), já sinto isto desde que me lembro. 
  Não consigo entender o porquê se ser alvo de chacota por motivos como: pedir autorização para levantar-me da mesa, em casa ser proibido o uso de telemóveis durante o jantar assim como a televisão ligada, dar um beijo de boas noites aos meus pais, quando saio de casa enviar uma sms à minha mãe a dizer que estou bem, falar com os meus pais sobre tudo (incluindo assuntos como namorados e sexo), falar com a minha avó também sobre tudo (mesmo que ela não perceba algumas "modernices", declinar convites para tomar café porque tenho roupa para passar a ferro (sou eu que levo o sermão se não o fizer, não os meus amigos), gostar de sair com os meus pais, achar os velhinhos pessoas porreiras (consigo ter com eles conversas bem mais interessantes de que com malta da minha idade, ter uma coisa chamada paciência para com outros e saber o que respeito significa, não gostar de ir a discotecas (gosto de dançar e sair à noite, sítios onde se dança com os olhos é que não acho piada), nunca ter experimentado tabaco ou drogas (a minha pessoa nem café pode beber senhores, a minha saúde dá-me trabalho a miúdo), entre outras coisas... 
 Se ser fixe hoje em dia implica usar os ténis da moda, gostar de meter umas coisas para a veia, parecer uma chaminé, ter rodado os rapazes todos do liceu, vestir-me igual a toda a gente e falar uma língua que desconheço (português é uma língua que não assiste a grande parte da camada jovem, ter uma mente oca e a mania que sou rebelde... Então, NÃO OBRIGADO! Eu sempre gostei de ser eu mesma, com defeitos e tudo, mesmo sabendo que não agrado a imensa gente. Prefiro outras coisas à popularidade. Não quero um Facebook com 5738949 amigos, faz-me mais feliz? Não. Preferia esse número em algo como livros ou CD´s por exemplo. Não tenho para coisas fúteis, para conversas ocas como "Sabias que a Maria anda com o JP? Nem sei como ele olha para ela, ela tem um rabo enorme". Poupem-me a ouvir coisas destas, é para o bem da minha saúde mental. Por isso não me admiro que as pessoas não gostem de mim e eu não goste delas, temos objectivos diferentes e prioridades diferentes. Sou uma pessoa de ideias fixas e prefere poucos mas bons a muitos e falsos. Na próxima sexta-feira irei fazer anos e em vez de uma festa enorme como é hábito fazer (festejei três vezes o ano passado!), decidi convidar cerca de oito amigos, aqueles mais importantes que conheço desde sempre. Apesar de poucos são aqueles que sei que são verdadeiros, se conseguiram aturar-me durante 12 anos então é porque são muito bons! 
 E depois há outro problema, a minha mentalidade é demasiado à frente para alguns. Porquê? Em Sociologia foram feitos uma séria de trabalhos, o tema era de escolha livre e um grupo decidiu-se por "Adopção por parte de casais homossexuais: sim ou não?", reparei que havia imensa gente ainda contra. Eu era a favor! E não me venham com tretas e dados não sei quantos, há que fazer evoluir essas cabecinhas! Sou heterossexual e acho que não devo ser rotulada por isso. Quero saber se os meus amigos e as minhas amigas andam com rapazes ou raparigas, desde que sejam felizes! Quer experimentar algo novo não faz de nós diferentes, somos ser curiosos por natureza! Uma mentalidade fechada também não é bom. 
 Resumindo, não sei se deveria ter nascido há algum tempo atrás ou no futuro... Talvez nos anos 70 para poder ser adolescente durante os 80 e poder ouvir boa música. Acho que vou ser sempre um pouco outsider, uma marginal. Chamem-me doida, mas sou doida por uma boa causa, aquilo em que acredito. Caia o Carmo, caia a Trindade, gosto de manter-me fiel à minha pessoa. 

7 comentários:

Logan disse...

desculpa vou ser um bocadinho desagradável neste comentário, espero que não te sintas ofendida mas esse tipo de posts com auto elogios são muito foleiros.
quando nos inserimos numa sociedade irão existir sempre pessoas cujas opiniões e mentalidades são diferentes das nossas e que não serão as mais correctas mas não há necessidade de nos vangloriarmos por fazermos aquilo que para nós é o politicamente correcto. claro que existem atitudes/acções que todos nós deveríamos ter/tomar mas muitas pessoas aprendem por tentativa e erro e com o tempo...
acho que essa modinha de as pessoas dizerem "ah e tal não sei quê não sou normal" é irritante, o que é ser-se normal? existe uma receita, uma fórmula? o conceito de normalidade existe em cada um de nós.

IceQueen disse...

Eu também sou mais ou menos assim; até já houve quem me disesse que, hoje em dia, há poucas pessoas como eu, ao que eu respondi "Pois eu sei, é por isso que não me dou bem com muita gente" x)

Logan disse...

o teu texto, assim como muitos outros assenta numa permissa de fazer voltar os velhos costumes,
aqueles de que toda a gente gosta mas que poucos seguem hoje em dia. ao tentares afirmar-te enquanto seguidora
desses mesmos costumes fizeste uma criitca disfarçada a todos aqueles que não os seguem.
hoje em dia as pessoas procuram tanto ser diferentes que acabam por ser todas iguais na sua busca pela diferença.
acredito que muitas das coisas que fazes sejam feitas por outras pessoas e que elas não vejam nisso um factor de diferença, algo que sintam
que está ultrapassado, simplesmente fazem-no por que sempre o fizeram e o tempo irá continuar a passar-se sem que
se apercebam.

quanto à moda, a moda é a maior contradição existente neste Mundo por que as pessoas seguem a moda para se distinguirem
por algum motivo mas esquecem-se de que a peça que compram para se distinguirem foi comprada por 1001 pessoas que
procuram exactamente o mesmo... e falar de roupa/calçado é daquelas coisas inúteis com as quais nunca gostei de
perder muito tempo, umas calças de ganga e uma camisola preta, é o bastante.

em termos musicais, opá as pessoas falam que a música dos 80'S é que era, que agora não se faz música de jeito e não sei quê,
[estou a falar no geral, não a colocar palavras na tua boca] mas esquecem-se de que apenas os grandes artistas chegaram até nós
. nos anos 80 existiu certamente muita porcaria que entretanto foi esquecida e daqui a dez anos também muita da porcaria existente nas rádios terá sido esquecida.
depois sou apologista de que a música não tem idade.


desculpa lá ser chatinho, sabes como é, quem não tem que fazer é assim... lol

Iva Araújo disse...

Eu sou como tu! Gosto de passear com a minha mãe e o pessoal mais velho da família porque é fixe e temos conversas interessantes e fazemos coisas diferentes ;) nesta casa falasse de tudo mesmo sobre sexo, não há constrangimentos... Peço licença para me levantar da mesa, digo bom dia aos motoristas dos autocarros e coisas assim. Gosto de soul, blues, jazz, música clássica. A minha mãe diz que não percebe porquê que eu gosto de coisas antigas, não faz sentido! A minha prima diz que sou hipster porque compro roupas vintage, gosto de arte, oiço música clássica e vibro com livros como se fosse uma louca. Enfim, a culpa em parte é deles por ouvirem coisas boas, ensinarem-me o verdadeiro valor das coisas e não ser uma pessoa falsa e blá blá blá... Nós nascemos na época certa para mostrar que nem tudo está perdido e que ainda há esperança, bom gosto e boas pessoas ;)

Carolina disse...

Em parte concordo com o Logan relativamente a este post. Mas se "vangloriares-te" (não sei se usaria essa palavra, mas...) dessas coisas faz parte da tua personalidade, go ahead, ninguém te deve julgar por isso, da mesma forma que tu não deves julgar as outras pessoas por terem um estilo de vida, uma personalidade e uma forma de pensar diferentes das tuas :)

Percebo perfeitamente o que quiseste dizer com este post e percebo também essa tendência que agora muita gente tem, de dizer "nasci na época errada". Também já o disse, também já pensei isso. Também já disse durante alguns anos que odeio a sociedade e que sou incompreendida. Agora não. Agora abraço a diversidade.

Se há coisa que o meu curso (Sociologia, btw) me tem ensinado todos os dias, é que não existem sociedades perfeitas. Nunca existiram. Nunca vão existir. Vai haver sempre pessoas de quem vou gostar muito e pessoas de quem não vou gostar nada. Pessoas que vou perceber, e que me vão perceber a mim, e pessoas que nunca vou entender por que motivo fazem determinadas coisas. Não é o ano em que vivo que muda isso. Há pessoas boas e pessoas más em todas as décadas. Dizer "queria ter nascido nos anos 60 porque as pessoas eram melhores" é estar a generalizar, é estar a dizer que as pessoas eram todas iguais, todas boas pessoas. Pensarmos assim, é estarmos a iludir-nos. Generalizações são falaciosas :)

Quanto à "boa música", enfim, confesso que me ri. Em todas as décadas foi feita boa música e má música. Atualmente é feita boa música e má música e dá-me vontade de bater nas pessoas que dizem "ah mas agora não se faz boa música em tanta quantidade". Mentira. Há por aí muitos projetos deliciosos a nascer todos os dias, o único problema é que há tanta informação, que se torna mais difícil não só para quem faz esses projetos divulgá-los, como para nós encontrá-los. Mas é uma questão de persistir, de procurar muito até encontrar. As coisas boas andam por aí.

E, convenhamos, para se ouvir música dos anos 80 não é preciso nascer nos 70's. Nasci na primeira metade dos 90's (a minha década preferida em termos de produção musical, por acaso) e não é por isso que deixo de ouvir música dos 80's, 70's, 60's, 50's e até 20's.

Não vou dizer com toda a certeza que esses teus pensamentos são uma fase (que pode durar um mês ou cinco anos) e que vai passar, até porque não te conheço. E, atenção, que ao dizer "é uma fase" não tens de interpretar como alguém a chamar-te infantil, ou "pita" ou o que seja, pelo contrário. Toda a gente passa por "fases" ao longo de toda a sua vida, toda a gente cresce um bocadinho todos os dias, aprende e vai mudando até morrer. A idade começa a valer praticamente zero.

Aprende a aceitar e a abraçar a pessoa que TU és. E não te esqueças de que essa pessoa, também é feita da altura em que nasceu e da altura em que viveu. Se tivesses nascido e vivido há 20 anos atrás, serias uma pessoa completamente diferente e terias uma forma de pensar completamente diferente devido a fatores sociais, políticos, económicos, culturais/de valores, etc, acredita.

É bom viver agora. Só é preciso aprender como :)

Miguel Silva disse...

Ora bem tem aqui muito pano para mangas. Cada um gosta do que gosta seja discotecas, wtv. Ninguém tem nada haver nem criticar esse tipo de coisas. O facto de pedires licença para saíres da mesa tem haver com boa educação. Eu digo com licença e levanto-me é óbvio que não vou esperar pela resposta, só faltava agora dizerem-me quando me posso ou não levantar xD mas faz parte da boa educação dizer qualquer coisa.

Quanto à cena da Sociologia eu sou absolutamente contra a adopção de crianças por casais homossexuais a não ser do sexo contrário ( p.e. duas mulheres adoptam um rapaz, dois homens uma rapariga) porque quer queiramos quer não os pais vão transmitir ensinamentos errados às crianças nós fomos feitos para procriar devemos ser criados como homossexuais se depois temos outras tendências ou não já escapa, mas em termos de ensinamentos dos nossos pais tem que ser assim, abertura para a homossexualidade mas uma educação heterossexual. Fomos feitos para procriar e isso não se faz entre pessoas do mesmo sexo. De resto não tenho nada contra gays.

Eu só tenho pena da música,das drogas e do sexo indiscriminado em qualquer lado xD

Anónimo disse...

Nós nos daríamos muito bem =) Parece até que eu escrevi o texto... risos.
Tudo de bom,
Rafaela